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Principais alergias em cães e gatos: como identificar e controlar os seus sintomas

É uma alegria vê-los a correr e saltar e uma tristeza vê-los a coçar, mas a verdade é que as alergias em cães e gatos são uma das principais queixas nos consultórios veterinários e, tal como nos humanos, desencadeiam alguns sintomas desagradáveis e preocupantes: da comichão constante a erupções cutâneas e problemas gastrointestinais. A má noticia é que as alergias, como toda a gente sabe, não têm cura. A boa notícia é que existem várias formas de controlar os seus sintomas!

Alergias mais comuns em cães e gatos

As alergias em cães e gatos são um problema de origem imunológica no qual o organismo despoleta uma reação inflamatória exagerada perante substâncias que não são prejudiciais nem perigosas para si mesmas, mas que podem levar alguns animais de estimação a apresentar diferentes sintomas, como comichão, dermatite, queda de pelo ou infeções. Entre as alergias mais frequentes, as alergias à picada de pulga, pólen, ácaros e alimentos ocupam os primeiros lugares e é sobre os seus sintomas e tratamento que nos vamos debruçar de seguida.

Alergias mais comuns em cães e gatos | Alergia à picada de pulgas (DAPP)

É a mais comum das alergias em cães e gatos e surge quando uma pulga pica o animal e a sua saliva desencadeia uma reação alérgica. Este problema surge, regra geral, após os 6 meses de idade e como provoca uma comichão intensa, leva a lesões como pápulas e crostas na zona lombar, na zona interior e posterior das coxas e abdómen e até queda de pelo e infeções na pele. O diagnóstico de um veterinário é fundamental neste caso, até porque basta uma pulga para desencadear a reação alérgica e provocar sintomas que podem durar várias semanas. Uma pulga que, inclusive, pode já nem estar presente no corpo do animal no momento da consulta veterinária, pois quer os cães quer os gatos conseguem apanhar as pulgas com facilidade. Além disso, a maioria da população de pulgas não está nos animais, mas sob a forma de ovos e larvas no meio ambientes.

Como tratar a alergia à picada de pulgas?

A resolução do problema a curto prazo passa por corticoides de ação rápida, sendo que há casos em que é necessário administrar cremes e até antibióticos. A longo prazo a solução para tratar a alergia à picada de pulgas em cães e gatos passa por uma boa prevenção antiparasitária para evitar e eliminar as pulgas através de produtos de aplicação fácil, incluindo coleiras que eliminam eficazmente estes parasitas.

Alergias mais comuns em cães e gatos | Dermatite atópica

A dermatite atópica ocupa o segundo lugar no top das alergias mais comuns em cães e gatos. É provocada por agentes alergénicos ambientais (como pólen, ácaros, penas, pelos, pó, fumo de tabaco…) inalados ou ingeridas pelos animais e é hereditária. Os sintomas surgem, geralmente, entre os 6 meses e 3 anos de vida e a princípio são apenas sazonais: comichão intensa no focinho, pescoço, axilas, virilhas, abdómen, dorso e ventre. Porém, há casos de dermatite atópica em que o único sinal clínico no animal é a otite externa. Por isso se aconselha uma ida ao veterinário para diagnóstico do problema. 

De seguida abordamos com maior pormenor dois casos de dermatite atópica que mais alergias provocam. 

  • Dermatite atópica |Alergia aos ácaros em cães e gatos

Apesar de terem um tamanho inferior a 0,3mm, os ácaros são capazes de desencadear aquelas que são as alergias mais comuns em cães e gatos, principalmente os chamados ácaros do pó e ácaros do armazenamento. Os primeiros encontram-se em locais que acumulam pó (tapetes, almofadas, colchões), alimentam-se preferencialmente de escamas da pele e os seus agentes alergénicos encontram-se tanto no corpo do ácaro como nas suas fezes. Os segundos, estão frequentes em alimentos secos armazenados e encontram-se sobretudo na cozinha e na casa de banho, uma vez que a humidade é a sua melhor amiga. Em ambos os casos há picos sazonais que desencadeiam a alergia aos ácaros em cães e gatos, sendo os sintomas idênticos: comichão generalizada ou limitada ao focinho e patas, infeções de pele e inflamações de ouvido. 

  • Dermatite atópica | Alergia ao pólen em cães e gatos

O pólen existente nas ervas, plantas e árvores pode causar alergias em cães e gatos, principalmente nos meses de primavera. Ao inalar o pólen, o sistema imunológico do animal tem uma reação atípica, hipersensibilidade ou irritação, que se manifesta na pele, mesmo que não tenha estado em contato direto com o pólen. 

A alergia ao pólen em cães e gatos desenvolve-se, geralmente, entre os 6 meses e os 4 anos de idade e tende a piorar com o tempo. No cão, os sintomas incluem: comichão, infeções do ouvido, pele mutilada e perda de pelo no cão. No gato: asma, rinite, tosse, secreção nasal e ocular, diarreia e vómitos.

Como tratar a dermatite atópica em cães e gatos?

Antes de mais, terão de ser descartadas outras causas de alergia, como pulgas ou alimentos, através de vários exames médicos e testes. Depois, confirmada a dermatite atópica, há que atuar com rapidez, pois sem tratamento adequado a alergia que afeta mais o focinho, as patas e o ventre do animal, pode espalhar-se ao resto do corpo e até provocar otites e conjuntivites. Solução? Corticoides. Mas como o uso prolongado deste medicamento pode causar efeitos secundários, o melhor mesmo será eliminar a substância que provoca a alergia, se isso for possível. Caso contrário, também existem outros medicamentos de efeito variável que funcionam em alguns cães e gatos, como anti-histamínicos, anti serotoninas, tranquilizantes, ácidos gordos ómega 3 e 6, vitaminas, ácido eicosapentaeinoico (EPA) e aveia de uso tópico. Para a alergia aos ácaros, em particular, o ideal é que os donos realizem um controlo ambiental em casa, retirando tapetes e cortinas, aspirando a casa, expondo colchões e sofás ao sol, etc. Porém, isso pode não ser suficiente para eliminar a alergia e, nesse caso, é preciso passar a um tratamento de controlo dos sintomas, através de corticoides ou vacinas. Quanto à alergia ao pólen, existem shampoos, sprays e até rações disponíveis no mercado que ajudam a aliviar os sintomas, mas aconselha-se uma visita ao veterinário para prescrição desses produtos e até para outros tratamentos com antialérgicos e produtos especiais para o pelo.

Alergias mais comuns em cães e gatos | Alergia a alimentos (DAIA)

Mais uma vez, tal como nos humanos alguns alimentos podem causar alergias em cães e gatos de qualquer raça, em qualquer idade, e até mesmo em substâncias que os animais já comem há anos. Este problema dá pelo nome de dermatite alérgica induzida por alimentos (DAIA) e define-se como uma reação imunológica exagerada e anómala a um alimento, não relacionada com o efeito fisiológico de nenhum componente do mesmo. Os alérgenos alimentares mais comuns em cães e gatos são a carne, frango, laticínios e trigo. Quanto aos sintomas, há animais que apresentam reações meramente alérgicas e outros uma verdadeira intolerância alimentar: de prurido cutâneo a infeções crónicas do ouvido ou problemas gastrointestinais, como diarreia e vómitos. 

Como tratar alergias a alimentos em cães e gatos?

Em primeiro lugar, o médico veterinário do animal de estimação deverá descobrir qual substância que está a causar a alergia, prescrevendo uma dieta de eliminação durante algumas semanas, para confirmar o desaparecimento dos sintomas nesse período e recorrendo, se necessário, a análises ao sangue (para determinar se o animal apresenta anticorpos contra agentes alergénicos de origem animal ou vegetal). 

Esta dieta deve basear-se em proteínas novas para o cão ou gato ou em alimentos comerciais altamente hidrolisados. Inclusive, para tratar alergias a alimentos em cães e gatos, costuma-se trocar a alimentação para ração hipoalergénica.

 Identificar uma alergia num cão ou gato

O primeiro sinal de que o animal tem alergia é, sem dúvida, a comichão. Mas a verdade é que ele pode estar a coçar-se simplesmente para se livrar de uma pulga e não a desenvolver uma alergia. Por isso há que ter atenção a outros indícios para identificar uma alergia num cão ou gato,entre eles:

  • Comichão intensa. 
  • Pele vermelha e irritada.
  • Lambidelas obsessivas.
  • Morder ou mastigar em determinadas áreas do corpo.
  • Esfregar-se contra superfícies verticais, como móveis, ou deslizar pelo chão.
  • Erupção cutânea ou urticária.
  • Pontos quentes.
  • Perda de pelo.
  • Problemas nos ouvidos, principalmente nos cães.
  • Embora não seja comum em animais, podem ocorrer sintomas respiratórios como corrimento nasal, olhos lacrimejantes, tosse e espirros.

Tratamentos para alergias em cães e gatos

Antes de prescreverem tratamentos para controlar alergias em cães e gatos, os médicos veterinários têm de averiguar as causas através de diagnósticos (exames físicos, testes à pele, análises ao sangue…). Estes diagnósticos começam por descartar as alergias mais comuns, como a alergia à pulga ou dermatite atópica e, caso se suspeite de alergia alimentar a melhor forma de a detetar é através da utilização de uma dieta de exclusão ou eliminação. Depois de identificada a causa, é hora de se encetarem os tratamentos para alergias em cães e gatos. Sim, porque a alergia não tem cura, mas pode ser controlada até se conseguir que o animal não apresente sintomas. Isso através de tratamentos para alergias em cães e gatos, tais como:

  • corticoides de ação rápida, cremes, antibióticos, anti-histamínicos, anti serotoninas, tranquilizantes, ácidos gordos ómega 3 e 6, vitaminas, ácido eicosapentaeinoico (EPA), aveia de uso tópico, medicamentos preventivos para pulgas e imunoterapia, entre outros tratamentos médicos.
  • Prevenção antiparasitária e anti ácaros, no lar e no próprio animal.
  • Ração hipoalergénica.
  • Shampoo hipoalergénico, que não retire a camada de gordura da pele.

O sucesso dos tratamentos para alergias em cães e gatos é tanto maior quanto a brevidade com que se identificam e começam a combater os sintomas. Abordar o problema ao primeiro sinal de desconforto é fundamental para evitar que o animal de estimação fique mais tempo exposto aos componentes alérgenos e por consequência comece a evidenciar reações mais severas, como perda de pelo e infeções diversas.

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